Um dia, espero, haverá liberdade para alguém provar ao mundo o quanto, mesmo um bom jogador, elevado a símbolo, pode prejudicar uma selecção, ou outra equipa de futebol. Como tem acontecido na nossa selecção.
O futebol é um desporto, e toda a sua beleza reside na conjunção de todos funcionarem entre si como um todo, e não na eleição de “símbolos” aos quais todos se verguem e escravizem para lhe servirem o bolo num prato-golo dourado. Porque isso reduz o grupo a 10 jogadores. E deixa de haver competição desportiva equilibrada.
Em qualquer época em que houve futebol sempre se distiguiram bons futebolistas.
Mas querer elevar um futebolista a símbolo de um país, só revela a mediocridade a que esse país, essa sociedade, desceu.
O futebol não é uma seita religiosa, um espaço de deuses, um mosteiro, uma galeria, com espaço para símbolos. Mas tornou-se num manancial de gente cega por milhões e ambições luxuosas, que nada tendo de grandíloquo permanece totalmente num nível cultural de capacidades analítico-comportamentais ao nível das botas que os enriquecem.
Como todos, os ainda vinculados ao homo sapiens, sabem, o desporto não é lugar para grandes inteligências, mas de músculos que não se coadunam com erudições.
Condicionados a esta limitação, compreendamos as infantis discussões e atitudes entre Jorge Jesus # Cristiano Ronaldo, e até entre comentadores desportivos, sem que nos surpreendamos.
O mais interessante num desporto moderno seria este poder colaborar na formação de um novo homo, nunca inferior ao homo sapiens nas suas capacidades analítico-comportamentais
Porém, infelizmente, o que se assiste é um inimaginável espectáculo de disputas oportunísticas, que não apontam para qualquer saída gloriosa. Sendo até habilmente usado para disfarçar todo o insucesso de uma política falhada, aquando no passado era acusado de poderosa arma política dos estadistas de antão.
Mais o mais curioso de tudo está na redução, falta de saber, e imaginação dos pais, outros educandos, na preparação mental das suas crianças, que os leva a recorrer à má formatação mental comportamental das estrelas do futebol sem cultura alguma.
E tudo isto motivado pela riqueza superficial futebolística.




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